quinta-feira, 6 de junho de 2013

O BANCO CANSA

Tem nome de banco mas não serve para sentar. Lá, tem muitos lugares para se abundar, "descansar" e observar o BANCO.

Quando você decidi ir ao banco (eu só vou para resolver pepino mesmo), é sempre sabendo que eu vou ficar no mínimo uma hora, se o atendimento for rápido, podendo chegar a três ou quatro horas esperando. Fico lá, parada, olhando aquele televisor, torcendo para que minha senha seja a próxima. Para mim é quase um sorteio da mega sena. Quando chega minha vez me imagino dando um pulo bem alto, com gritos da sonora: EU CONSEGUI!! Ao invés disso, me levanto, segurando o sorriso e pisando firme para mostrar que não gostei nadinha de esperar duas horas e vou caminhando em direção à luz: o atendente.

Antes disso fico torcendo (dou câimbra nos dedos por cruzá-los por muito tempo), para que as outras quinze pessoas que estavam na minha frente, tenham desistido e voltado para casa. Assim o barulhinho da senha fica mais frequente e vai virando música para meus ouvidos.

Cada um faz o que pode para o tic tac ser mais rápido. A senhora sentada do meu lado aproveita para estudar o livrinho colorido da legislação. O outro indivíduo decidiu limpar a capinha do celular. Para isso usou a própria blusa e é possível ver seu abdômen peludo e você faz aquela cara enrugada e contraída, de língua pra fora e lembra da frase da sua mãe: é caca. Outros dois amigos estão batento papo sobre vagas de emprego, o problema é que um está em uma fila e o outro na outra. E o mais esperto é aquele senhorzinho que consegue tirar um cochilo.

O serviço do banco  não é bom, mas o chão é ótimo. Noventa por cento dos clientes aguardam o serviço batendo o pé impacientemente. Daí você percebe que no papel da senha está escrito que o seu atendimento está disponível nas mesas de número um ao número cinco e que na verdade só tem dois atendentes e um deles acabou de ir almoçar. Ficamos em cerca de vinte pessoas para o cara da mesa dois se virar. Ah, na verdade tem o funcionário da mesa cinco, mas ainda não entendi quais são os casos que ele atende. Achava que era preferencial, mas chegou um senhor com andador que perguntou alguma coisa e o atendente falou alto e "educadamente": EU NÃO ENTENDO SOBRE ISSO. Na mesa dele tem uma mexerica, mas vou sugerir um maracujá.

Outro problema é que o banco fica aberto somente até as três horas da tarde. E você acaba tendo que gastar a folga que guardou para a viagem do final de semana.

No banco meu olho é clínico para cada funcionário. Reparo o que cada um faz. O que mais me mata é a demora para chamar a próxima senha. Esse tempo significa uns 30 segundos ou a eternidade. E é ai que um deles solta uma gargalhada que pra mim parece som de unha arranhando quadro negro. O ódio tem esse dom: fantasiar. A impaciência faz você pensar que aqueles trabalhadores não tem direito nem de se divertir no trabalho. Pensando bem, é melhor todo mundo levar maracujá para o banco.

Lá falta tudo: funcionário, salários melhores, motivação. Mas principalmente, um treinamento em uma rede de Fast Food Americana, assim poderia ser Fast Service Bank. Para ficar ainda melhor, só o combo: o lanchinho durante o atendimento.

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